A notícia de morte no dia do Jornalista.

No dia 07 de abril, para quem não sabe, foi o dia do jornalista.
Mas mataram a notícia, ou melhor, viveram da morte de algumas crianças e pré-adolescentes, na barbárie do Rio.

Todos já sabem, a história foi triste: sujeito entrou armado em escola de 1º grau, em Realengo-RJ, e atirou contra crianças que estavam em sala de aula. Fim da história, morreram 11 crianças e outras foram internadas feridas. O rapaz- autor dos disparos- se matou logo em seguida.

No entanto, a Imprensa viveu o dia sobre a morte.
Uma verdadeira tragédia. Coisa comum no Brasil.
Digo não ao fato da tragédia ocorrida na escola, mas quanto a canabalização da notícia no Brasil.

Sem adentrar o papel da imprensa, que tem grande relevância na condução de uma sociedade informada, interada com a história e de formação de cidadãos ativos. Há também, por outro lado, um modo negro de passar informação: desastrosa, sensasionalista e exploratória, que empobrece a notícia.

Desconheço o manual ético de jornalismo. Embora, acredito mais na moral. Que por sinal, não vi nessa abordagem.
Bateram tanto no assunto, chamaram infinitos especialistas, desde psicólogos a astrólogos para desvendar os mistérios da vida do autor do feito.

Há dezenas de estudos, artigos científicos, que já trataram de pesquisar sobre a influência da mídia no comportamento humano. Coisa batida, como a notícia. Embora, desconheço algum que já tratou do assunto como a força da mídia na criação e apoio de desgraças. Um encorajamento da ação. Como muitas vezes ocorre com as notícias de suícidas.

Sem fugir do assunto inicial, o sujeito era anti-social, tinha baixa alto-estima, marginalizado, e, de alguma forma acredito; queria fazer algo para aparecer, ser notado. Nem que fosse a última coisa da vida, como ocorreu.

Assim como em outras situações, esse força criacionista da mídia é capaz de fortalecer e criar indivíduos e cenas. Dão papéis fortes a alguns figurantes, ou melhor, dá força a figurantes em papéis.
Independente da ordem, o que conta é que há inúmeras pessoas que fariam de tudo para aparecer, serem notadas, vistas, de alguma forma, referências.

Uma das maiores revistas brasileira foi capaz de montar até uma cronologia sobre o massacre, uma grande rede de televisão ocupou no dia do acontecimento mais de 50% do seu tempo com isso, eu tive o desprazer de ouvir de um repórter- dos diplomados, como preferir- indagar para uma mãe, minutos depois da chacina ao ver sua filha morta, como ela estava se sentindo.

Seria mesmo de tudo isso necessário? É dessa forma que se constrói a boa informação?

Tristemente, pessoas pobres -entendamos na concepção da palavra e não no valor financeiro- diplomadas ou não, armadas e desprotegidas, falantes ou introspectivas-desprovidas de moral, desconhecem a ética, desacreditam nos valores de vida, se expõe a fazer o que for preciso para criar e destruir.
Sendo assim, pode-se ter mais uma notícia.

Vivre le Plus

Anúncios